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segunda-feira, janeiro 28, 2013

Em águas calmas veleja o meu bem



Olá meu bem, que de meu não tem nada,
Mas que de mim tem o bem.
Espero que vá bem. Eu também.

Sabe, dia desses
parei
pensei
decidi sair.
Você já não valia mais a pena.

Fui para a praia, e enfiei meus pés na areia,
Senti-os afundando e me lembrei de você.
Em como era me afundar em seus cabelos
dourados como o sol que brilha.

A praia já não era tão boa. Fui para o interior
e de lá eu vi um cavalo
com a crina tão linda
e correndo. Era forte.
Diferente de mim.

Veja bem, meu bem;
Nunca disse à você o que queria.
A verdade é que,
não queria nada além do que você já me deu.
Não queria nada além do que já te dei.

Só queria poder não olhar
para a cachaça
e ver, em sua não-cor
todo o seu amor.

domingo, dezembro 23, 2012

Quanto vale pra você o meu abraço?
Quanto vale a sensação de calor
que te passo com as mãos
e aperto as suas costas?

Quanto tempo demora
para que seu braço empurre
meu peito
sofrido de tantos outros empurrões
e o faça sair de perto do seu
corpo?

Seu corpo,
só o seu corpo.

Que quando se afasta do meu
e raios de dor invadem
meu peito.

Meu peito,
que soube o que é ter voce,
em meio a abraços,
mãos,
braços,
corpo.

Quanto vale pra você o meu adeus?
Vale um outro abraço?
Vale um outro corpo?
peito?
Não vale nada.

sábado, novembro 24, 2012

Preta e gorda


Assim que eu entrava no consultório eu  atendido por uma mulher. Ela me sorria com os dentes brancos todos enfileirados em uma boca aberta, e sua pele era coberta de uma maquiagem forte em cima dos olhos e no lado do seu rosto. Geralmente ela usava uma blusa clara, mas nesse dia era de um azul-marinho que a escondia entre uma planta encostada na parede e uma maquina de café que fazia muito barulho. Sempre mexendo no computador e em algumas folhas de papel, segurava o óculos sem tirar e dava o seu "Bom dia" de dentadura. 
Além da máquina de café muito barulhenta, havia um aquário e a parede verde escuro, a mesa da mulher e dois bancos de espera. O tempo lá corria sempre muito devagar, e cada minuto levavam dez, e cada dez um dia. A porta em frente aos bancos se abria a cada meia hora, ou seja, se você chegar com vinte minutos de antecedência, levará dois dias para ser atendido.
Finalmente, depois de meio dia ter se passado, a maçaneta girou e a porta abriu. De dentro dela saiu um capuz azul em calça jeans que foi em direção a porta, e pouco depois um jaleco branco recheado de um corpo masculino. Alguns pêlos saiam da gola e das mangas do jaleco, as mãos que saltavam de lá pareciam dois pães gordos, e os dedos eram amarelados. Fez um sinal para que eu entrasse e eu passei por ele, cheirava a cigarro.
A sala era uma mesa pequena, com um relógio, outro aquário e um bloco de notas. Ao lado havia um divã que me esperava, e uma janela que ia do chão ao teto, e iluminava todo o ambiente deixando o lugar com uma aparência maior. E eu começava a entrar em desespero.
Eu deitei, o jaleco sentou e de lá saiu uma voz grossa que tremia todo o meu corpo. Ainda bem que era eu quem falava mais. Me perguntou como estava, bem, o que havia acontecido desde a última semana até essa, nada de mais, e como eu andava com meus problemas, acho que estou melhorando. Considerando que o tempo nessa outra sala passava em uma velocidade quase normal, não demorou muito para terminar a sessão e assim eu pude ir embora.
Após a maçaneta estava a mulher sentada na porta e olhando fixamente para frente. Esperei o adeus de sempre dela, e ela não deu. Bati no aquário e o peixe se mexeu como sempre, e atravéz da água eu vi uma arma. A arma estava na frente de um capuz preto e sujo, com algumas folhas marrons em cima. O capuz me olhava, e dentro das aberturas dos olhos não haviam olhos, eram escuros. E eu segui meu caminho, enquanto atrás de mim vinha o jaleco. Ele também viu o capuz e nesse instante foram gritos e exclamações, enquanto de mim vinham interrogações. Barulhos que explodiam, aquário jogado no chão e um peixe se debatendo em uma água vermelha que me lembrava groselha. Um capuz correu e esbarrou em meus ombros, deixando cair algumas notas de dinheiro no chão.
Na portaria um carro estava estacionado, alguns outros vermelhos piscantes chegavam e encostavam perto. Eu estava saindo quando alguns casacos e paletós me seguraram e puxaram para o lado. As minhas pernas pararam de me sustentar, como se brincassem comigo e me jogaram ao chão. De lá, eu só via muitos tênis e sapatos, andando de um lado para o outro e minha roupa molhando. Alguns disseram que era tiro, outros disseram que eu não conseguiria mais andar, e outros só olhavam com pena. Um sapato branco chegou e gritou que ele precisava de sangue, e agora doía para respirar. Um carro que estava parado saiu, eu olhei pro lado e vi que, encostado no meio fio, havia um gato, com um laço rosa na cabeça. Uma gata preta e gorda, que miou alto por duas vezes e depois parou. Tudo estava como a gata, mas agora sem miados. Silêncio.

terça-feira, novembro 13, 2012

Redentor

Deitado na rede, sem cinto na calça e segurando uma cerveja, ele sentia o calor do rio de janeiro.Uma rede azul, pendurada do lado de fora de casa, estendida no quintal para poder pegar sombra e sol ao mesmo tempo. O bafo quente fazia o chão de asfalto da rua tremer, e as folhas de uma árvore próxima batiam fazendo com que o vento que soprava forte ganhasse uma voz. O cachorro deitado na horta, com a lingua de fora e perseguindo uma mosca com os olhos.
Era Rio de Janeiro mas dentro dele corria Minas Gerais, calmo como uma rua deserta de estrada de barro, ouvindo cavalos à galope correndo de lá pra cá. Minas Gerais de sonhos de ouro e decoração clássica, afinal a sua casa não era apenas uma outra casa velha qualquer. Balançando na rede, esticava um pé e deixava soltar devagar, escorregava, e o seu corpo balançava. A cerveja suando em sua mão, bebendo aos poucos e as gotas escorrendo no chão.
Pensou no que podia fazer de errado, no que podia fazer depois, no que podia fazer dar certo. Pensou na vida e deixou de pensar e dormiu.
Não sonhou.
Apenas acordou com o cachorro lambendo os seus dedos e levantou-se da rede. Tomou um banho e continuou a sua vidinha.

domingo, setembro 23, 2012

Idiossincrático



Peculiar e pessoal, muito íntimo e que só a própria pessoa entenderia (individualmente).

O seu gosto logo pela manhã. O gosto de café e o cheiro de perfume que deixa ao sair de tarde. O cheiro que tem seu corpo quando lhe toco todas as noites. A maciez de sua pele e a brancura do branco dos seus olhos e o o breu que são seus cabelos.

Quando ando na rua e passa alguém com seu perfume, o antigo não o de hoje, eu me viro na esperança de ser você, de ter sido você, de ser o que você era. Me viro mesmo sabendo que me engano, me sabendo que nunca será você, somente sinto aquele perfume e me perco em um mundo de lembranças.

Acho que nunca mais vou conseguir andar por todos aqueles lugares em que eu andava com você, aqueles prédios todos tão grandes e fortes, como costumávamos ser, aqueles bares cheios de vida à noite, e a minha vida que não contém nada além de garrafas compradas em bares.

Bares e festas e lojas e prédios e camas e jardins e luas e noites sem dormir pensando em você, no que você foi para mim e no que eu nunca mais vou ter. No carro que te atropelaria se eu não tivesse ido buscar café para você naquela manhã. No carro que me atropelou e me tirou de você. Agora quando vago por aí, sem ter você, fico pensando na falta que me faz, de como eu gostava do seu abraço, e de como você segurava a minha mão e, como se quisesse me ver bem, dizia: "Adoro você."

segunda-feira, agosto 27, 2012

VERACIDADE










Em seus olhos eu vejo
a agitação da Rua Augusta
em uma noite
de sábado
com luzes e bebidas
e faço questão
de
só voltar
ao amanhecer.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Café




Estava num café qualquer de uma cidade qualquer quando vi aquele rosto perfeito entrando no lugar. Os olhos claros refletindo as xícaras brancas e a roupa colorida contrastando com o ambiente;  era como se houvesse um destaque, um contorno, uma aura em volta dela. E ela entrou e sentou e pediu e tomou o seu café curto, e o meu café esfriou enquanto eu nadava na piscina do azul que eram os seus olhos. Me aproximei e puxei um papo qualquer, sobre cafés ou sobre chocolates, não sei dizer. Já era tarde ela queria ir embora, para a casa de alguma amiga, ou para a casa de um namorado, não sei dizer. Fazia frio, e ela estava sem blusa, estava transito e ela estava de táxi, ofereci minha moto e andamos; ela me segurando forte na cintura e eu fazendo seus cabelos voarem, e ela me segurando e voando. 

A única coisa que você precisa saber, é que depois daquele dia eu tomei café da manhã com ela.