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segunda-feira, novembro 21, 2011

Te amo um tanto assim


Escolhi uma navalha qualquer, a primeira que estava na prateleira da loja. Não me importava a marca, e sim o seu corte. Havia de ser potente e preciso, para fazer o seu trabalho em um piscar de olhos, e para que a dor seja forte, mas não extrema. As vezes a gente só pensa mesmo no resultado de uma decisão em nossa vida, mas naquele dia, eu pensava apenas nessa decisão.
Já estava pensando em me matar tinha um certo tempo, desde que minha amiga me rejeitou. Conheço aquela mulher desde que ela era uma menina, com seus dezesseis anos de idade, até agora aos vinte e poucos. Ela sempre foi linda, com o cabelo curto que lhe dava um ar de boneca, seu batom vermelho lhe deixando sensual e o formato de nariz digno de uma rainha europeia. Antes ela era linda de um outro jeito, quando usava cachos e tinha espinhas, nessa época que ela me conheceu. E foi assim, uma identificação mútua de pensamentos, onde ela completava minhas frases e me deixava sem fala. Ela não nutria o que eu sentia por ela, em nenhum momento nutriu.
Disse-me que sentia pena de mim, que eu era um ser vergonhoso e asqueroso, que somente me interesso por coisas supérfluas e nunca conseguiria gostar de algo, de amar. Mal sabe ela, que eu a amei; amei de corpo e alma e sempre deixei isso claro, e em cada momento junto à ela eu reafirmava essa posição. Disse que a amava quando ela engessou o braço e pediu-me que assinasse. Disse que a amava quando peguei aquele pequeno cacho solto de cabelo que estava em sua bochecha e joguei fora. Disse que a amava até mesmo quando disse que a amava.
Fiquei sabendo que o corte tem que ser feito verticalmente, porque o corte horizontal só leva para o hospital. Pesquisei sobre o assunto, refleti e disse que não precisava  só causar um susto e levar alguns pontos. Se ela não me amava, nunca me amaria e eu não serei capaz de ser feliz. Queria que o corte jorrasse na parede, assim eu poderia escrever AMOR, acho que daria tempo, melhor escrever pequeno. E foi assim, rápido e dolorido, um corte mais profundo do que eu achei que seria. Talvez o ódio, tomou posse de mim e me fez ter força para tanto, ou talvez foi o desprezo e a ira, ou até mesmo a paixão. O sangue saiu rápido demais, mais até do que eu achei que seria. Na internet não falava nada disso. O sangue escorreu pela parede toda, pelo chão e por cima e mim depois que eu cai. Com o resto de força que ainda tinha, cortei o outro pulso. Esse foi mais fraco e a lâmina logo caiu de minha mão, só deu tempo de olhar para a minha parede onde a única coisa escrita era AMORTE.

sexta-feira, novembro 11, 2011

Só sei dançar com você, isso é o que o amor faz



Pego sua mão e sinto o calor,
calor este que antes sentia no meu corpo.

Faço seu cabelo voar para um lado
e para o outro te deito.

Nossos rostos estão colados
e você com o seu sorriso
me deixa feliz por dentro e por fora.

Um rodopio pra lá
e dois passinhos pro lado
me sinto dançando quando ando na rua
e você está junto à mim.

Sento no meio fio
e como um dançarino de sapateado
bato os pés no chão para atrair seu olhar,
que me olha, e me tira a roupa.

Sinto-me um bobo quando ando na rua
e você está junto à mim.

terça-feira, novembro 08, 2011

Rockstars and Cigarettes - Beeshop

Ai meu, o que eu estou fazendo aqui?
Porque eu de repente desapareci?
E por quê raios eu não estou com você?

Eu posso ver o mundo de onde estou,
Vejo que está perdida e precisa de uma mão
Mas nesse momento, eu não posso te alcançar.

Eu era só uma alma vazia nesse mundo, agora eu sei
Eu era o acorde errado da sua música
Eu não fazia parte

Aqui não é tão diferente
Só não tenho que pagar aluguel
E eu vi pessoas que eu realmente senti falta

Eu vi astros do rock e presidentes
E então eu entendi que nunca conseguiria
viver sem o seu toque

Eu era só uma alma vazia nesse mundo, agora eu sei
Eu era o acorde errado da sua música
Eu não fazia parte

Ai meu, ai meu, o que eu estou fazendo aqui?
Porque eu de repente desapareci
Sem dizer ao menos adeus à você?

Meus dias se queimaram como um cigarro
especialmente depois que nos conhecemos
Mas nesse momento, eu só sinto a sua falta.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Você se lembra?


Antigamente eu tinha um destino certo todas as manhãs, saia de casa com um objetivo em mente e não o tirava da cabeça. Naquela época, naquele tempo quente que fazia quando eu encontrava as pessoas e batia um papo sem pressa nenhuma. Não me preocupava com o tempo, não me preocupava com as roupas, não me preocupava com ninguém além de mim.
Lembro-me ainda, de árvores bem verdes e de troncos fortes que eu me encostava na tardes quentes, e via a vida passar calmamente, enquanto crianças brincavam no parque e cães corriam atrás de discos. As nuvens no céu pareciam mais brancas, o céu mais azul e o ar tinha aquele vento refrescante de calmas tardes abafadas de verão.
Não consigo esquecer de quantas vezes entrei na sorveteria e pedia todos os sabores, comia até não aguentar mais e era feliz assim. Sentia o gelado do sorvete, e o doce do açúcar me darem animo para brincar um dia inteiro, e descansar, e acordar e brincar de novo. 
Triste tempo em que vivíamos com alegria, e agora ansiamos por ela sem pensar de novo. Triste tempo em que não soubemos aproveitar a calmaria que a vida nos dava, e agora a única coisa que queremos de volta é obter aquela calmaria. Correr é bom, você não para o seu corpo, não tem tempo para meias palavras e vai sempre se focar no objetivo principal, mas o problema, é quando o seu objetivo principal passa a se tornar a saudade da vida. E a vida que você leva, é a que sempre quis levar, mas que agora não a quer mais. Você se lembra de como era bom a única responsabilidade do seu dia, era simplesmente, ser você? 

sábado, outubro 22, 2011

Tirei os sapatos,
Abracei meus joelhos,
Repousei a cabeça,
Senti teu calor em mim,
e pude, então,
Dormir.

sábado, outubro 15, 2011

Vivo ou Morto



Começa o dia pedindo para que tudo dê certo, e ainda assim não sai da cama. Espera o melhor momento, o melhor tic-tac do relógio, o melhor barulho interno do travesseiro. Levanta da cama e não consegue manter o sorriso no rosto, banha-se, veste-se, sai de casa e vai para o mundo.
A rua, fora de sua zona de conforto, parece muito menos agitada do que o normal. A rua parece-lhe como um filme antigo, onde há apenas o personagem principal  e o vento, soprando suas roupas. No caso, o personagem é apenas mais um coadjuvante. Poucos carros passam, e os que passam jogam água de fora das pequenas poças formadas pela chuva da noite anterior, e nas poças há um reflexo distorcido. Não o dele, nem de ninguém, mas de um céu claro, com nuvens brancas e um sol ao canto. Se olhasse para o alto, veria apenas um dia frio e cinzento.
Não cumprimenta as pessoas e sente que assim está fazendo um bem geral, impedindo de que elas tenham todas um enorme desprazer em ver a sua cara olhando para seus rostos. Sente-se como uma aberração, uma anormalidade enrustida em um corpo humano que não consegue ser igual aos outros. Não sente vontade de ser igual, e mesmo se sentisse não o seria.
Volta para casa com as compras do mercado; único lugar em que consegue dar seu bom-dia para alguém sem se sentir julgado. Nunca mais voltará lá, e se voltar não vão lembrar dele, e se lembrarem nunca será o mesmo caixa de novo. Anda alguns quarteirões para reparar que os carros não dão atenção para o morador de rua que anda no meio fio, passam correndo ao lado dele sem se preocupar ao menos com uma distância segura. "Que bom seria se minha vida fosse assim, sem eu me preocupar com a distância e proximidade. A distância é a única arma que tenho para lutar comigo mesmo, e a proximidade é a minha derrota. Me distancio de todos, ando no meio fio e vivo sem uma preocupação mais forte, para que chegue algum carro, e não se preocupe com a distância, se aproxime de mim, e eu me deixe aproximar, deixe aproximar, deixe aproximar...". Neste momento o mendigo jazia ao chão, com uma perna quebrada por um ônibus que passou no sinal vermelho.
Quando volta para casa, ao fechar o trinco do portão e colocar o guarda-chuva azul escuro aberto ao lado da mesa, sente que o molhado em seu rosto é uma gota de chuva respingada. Passa a mão para tirar a gota e continuar com a sua vida, enxugando cada vestígio que te faça lembrar que ainda está vivo. Engolindo cada sentimento torto que lhe apareça à face, e fazendo com que esse sentimento fuja correndo como o poodle da vizinha ao entrar no quintal do pitbull. Fez do erro da vida a sua proteção, e assim como uma barata ele se finge de morto para escapar da morte.

quarta-feira, outubro 12, 2011

Não sou tudo o que você sempre quis


Já vestido de pijamas, sentado à beira da cama começo a pensar em todas as mulheres que eu tive, todas as que eu não tive e todas as que eu pude ter. Esses pensamentos me cansam, me gastam. Deito-me, e me cubro até o pescoço com uma coberta felpuda que ganhei de natal há alguns anos atrás. Estou estranhamente cansado essa noite, e logo durmo. No sono breve, sonho.
Sonhei que andava sozinho em um lugar escuro e frio. Estava com minha melhor roupa, meu melhor tênis e ainda assim sentia frio. Um frio de gelar o osso, e nesse lugar as árvores tinham rostos e mãos e braços e dedos grandes e assustadores, com unhas pintadas de vermelho-rubi. Os troncos eram uns brancos, outros marrons, uns gordos, outros magros, uns altos e todos eles olhavam para mim, enquanto eu corria. Um olhar de desaprovação sem igual, nunca me senti tão triste por estar vivo, por ser eu mesmo e por apenas andar com frio. As árvores riram e pararam todos os barulhos, rostos enfurecidos me procuravam e no susto uma me bate à cara. Acordei.
As vezes tenho a sensação de que quando você pensa demais em um assunto, esse assunto toma conta de sua mente durante o dia, a semana, a noite, e até durante o sono. Só essa explicação é aceitável, o resto é baboseira. E se for isso mesmo, todas as árvores são as mulheres da minha vida; e todas, sem exceção, me desaprovam. Malditas árvores da desaprovação, porquê me têm como seu carrasco e me fazem sofrer tanto?
Sempre fui o homem que todas procuraram ter. Fui o homem que se dedicou, que amou quando a ordem era não se apegar. Fui o homem que deixou de lado quando pediu um tempo, e nunca mais voltou. Fui o homem que aceitei a decisão e sofri calado, o homem que abriu a porta de casa e fui roubado. Fui o homem que deixei que entrassem, invadissem, mordessem, assassem e temperassem com caldo knorr o meu coração e é assim que sou retribuído.
Que culpa tenho, se, toda vez que quero dar o melhor de mim, dou? É este o mal que se paga por ser o homem que todas procuram e nenhuma encontra? É assim que as coisas acontecem no mundo, já deveria saber. Saber que quando sou mais teu do que sou eu, não sou nada.