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quarta-feira, maio 23, 2012

Nina - Chico Buarque



Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu 

[...]

Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve

Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...

domingo, abril 08, 2012

Mata? Morri!


Se o sentimento de perda matasse, eu já estaria morto.
Voltar ao passado deveria ser permitido, para trazer aquele sentimento gostoso que eu tanto sinto falta.
As vezes eu gostaria de poder apagar as palavras que eu disse,
de apagar as palavras que eu ouvi.
Aqueles olhos verdes não são mais os mesmos de antes, não são mais os mesmos de nada.
Malditos olhos cor de esmeralda, belos na forma e na cor.
Simples olhos que apenas com o seu brilho me fizeram dar parte de mim pra eles,

Diz um vida outro morte, um loucura e outro amor.

Mas ai de mim, nem já sei qual fiquei sendo depois que os vi.
Mas ai de mim, não pertenço mais à vida depois que os vi.

segunda-feira, março 19, 2012



-O que é coragem para você? perguntou-me um senhor numa praça. Parei para pensar e, no auge da minha sabedoria de uma criança de 5 anos, disse-lhe "Coragem é derrotar um dragão usando apenas uma espada!". Ele riu de mim e foi andando com a sua bengala TocTocToc.
Agora, anos depois, me lembrei daquela história. Aproveitei as férias do meu trabalho e voltei à cidade que cresci, para ver se encontrava com o senhor. Bati de casa em casa, e nada. Resolvi dar uma volta na antiga praça, e percebi que havia uma população muito grande de velhos lá. Alguns sentados no banco, outros jogando dominó, e foi aí que eu entendi.
Aquele senhor, há muito tempo atrás, queria me ensinar o que era a coragem, queria que eu seguisse o seu exemplo. Todos aqueles velhos na praça, todos sorrindo e todos velhos. Isso é coragem. Coragem é ver seus cabelos esbranquiçarem, sua pele enrugar e alguns de seus amigos queridos e próximos morrerem. Não há coragem maior do que envelhecer e ver o amor de sua vida em um caixão, ambos de cabelos brancos, ossos frágeis e a memória fraca.
A coragem que aquele senhor demostrou pra mim na praça, aquele dia, não tem preço. A coragem de colocar a sua melhor roupa, sair de casa com um sorriso no rosto e, mesmo sabendo que a sua morte está perto, instigar a curiosidade de uma pessoa por anos. 
Velho maldito, como podia ainda sorrir?

quarta-feira, março 14, 2012

chega de finais felizes

E digo chega de finais felizes, de gente romântica e de sorrisos derramados.
Que seja dado um basta à essas baboseiras melosas, e que todos os casais apaixonados derretam em seu próprio mel.

Quando percebo, estou sentado no sofá de novo, vendo a novela das seis das sete... O tempo passou pra mim e o arrependimento me pesa nos ombros. Tento levantar mas me falta o ar e caio num mar revolto de águas sujas. Volto para a realidade e me lembro de respirar. Que bom seria se esquecesse de respirar, tipo, pra sempre. Mas não consigo desaprender, sou teimoso. Vou quebrar a cara mais uma vez, vou tentar e não vou conseguir. É meu destino, nasci do avesso.

E por isso quero o fim de finais felizes, o fim de amores correspondidos e o fim de tudo o que eu não tenho. 
Sou egoísta, quero pra mim também. Quero, desejo, quero desejar, quero que me deseje.
CHEGA, BASTA, UM PONTO FINAL AOS FINAIS FELIZES. 
Nada de três pontos, 
só ponto mesmo.

terça-feira, março 06, 2012

Para Musa

Deixe-me dormir
saia da minha mente
saia de mim
venha pra mim
tome conta de minha mente
não me deixe mais dormir.

domingo, março 04, 2012

Grito por dentro



Eu não consigo dormir porque penso demais.
Fecho meus olhos e é como se a escuridão virasse raios de sol.
Como se a quietude fizesse barulho ou como se o chão tremesse.
Quando reflito sobre o meu dia, pensando na vida. Cada memória triste e feliz, cada conquista e insatisfação, fazem-me perceber que além de insone sou ainda um pensador.
As olheiras sob meus olhos revelando a noite em claro.
A mente inquieta revelando o ser barulhento que sou;
mesmo que só por dentro, mesmo que sendo só de noite.
Ainda faço barulho, ainda sinto barulho, ainda sou barulho.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Gélidas ou geladas?

Geladas!
Mãos geladas,
geladas e endurecidas;
com calos.
Mãos calejadas.
Feitas assim pelo desuso
-Mas como aconteceu?
-Só deixei de usar...
-Mas não lhe faz falta?
-Faz, as vezes desejo senti-las.
-E qual a alternativa?
-Não há alternativas, uma vez que você deixa de usar, elas congelam e não voltam mais.
Em um tempo onde mãos são esquecidas
Onde deixam-se congelar partes do corpo;
luto para que de mim sobre ao menos uma parte quente.
Luto para que o frio não tome conta de meu corpo também.
-E agora que o senhor não consegue usar as mãos, vive como?
-Vivo mal.