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terça-feira, fevereiro 21, 2012

Gélidas ou geladas?

Geladas!
Mãos geladas,
geladas e endurecidas;
com calos.
Mãos calejadas.
Feitas assim pelo desuso
-Mas como aconteceu?
-Só deixei de usar...
-Mas não lhe faz falta?
-Faz, as vezes desejo senti-las.
-E qual a alternativa?
-Não há alternativas, uma vez que você deixa de usar, elas congelam e não voltam mais.
Em um tempo onde mãos são esquecidas
Onde deixam-se congelar partes do corpo;
luto para que de mim sobre ao menos uma parte quente.
Luto para que o frio não tome conta de meu corpo também.
-E agora que o senhor não consegue usar as mãos, vive como?
-Vivo mal.

domingo, fevereiro 19, 2012



há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?

Charles Bukowski

terça-feira, fevereiro 14, 2012

-Mãe, você comprou coca?
-NÃO, você tá muito viciado em refrigerante, e você sabe que eu odeio vicios. Agora vai lá em cima pegar meu cigarro!

quarta-feira, fevereiro 08, 2012


Como se estivesse pendurado em um penhasco, com as mãos segurando apenas raízes e uma pedra mal encaixada.
Sentiu-se acabado e exausto, machucado pelo tempo.
Sentiu-se como se não fosse querido e não fizesse importância.
Sentiu-se só.
E pela primeira vez em sua vida, sentiu a coragem tomar contar de seu corpo. A voz antes cansada de gritar, se debatia dentro dele para sair. As mãos fracas se agarraram na pedra. Sentiu seu sangue esquentar e correr pelo corpo todo. Tomou a maior decisão da sua vida, e como que para honrar as bolas que tinha entre as pernas, soltou-se.
A brisa leve correu por dentro das suas vestes;
e os olhos fechados e a mente calma colocaram um sorriso no seu rosto.
Soube, naquele momento, que não foi desistência ou covardia que o fez largar tudo, foi apenas mais vontade de vencer.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Sexo Virtual


Seus dedos safadinhos
me dão uma teclada,
pega no meu mouse e
SCROLL SCROOL SCROOL

A sua setinha passando por mim
você pluga o fone de ouvido,
ai, estou superaquecendo

Agora você abre um programa
e dá falha no windows,
ME CHAMA DE BUG, ME CHAMA DE BUG

Coloca o usb e retire com segurança
Liga o modem e conecta
Abre o facebook e não deixa entrar vírus
Me chama de AVAST e não deixa entrar vírus.

sábado, janeiro 28, 2012

You're so ugly when you cry


Quando você senta na sua cama, com as pernas cruzadas, o cabelo pra trás, e sem maquiagem; pega o seu computador e ajeita no colo, você está linda.
Faz um coque, come um lanche e se suja toda: linda.
Presta atenção na minha voz, me olha no fundo dos olhos, e tudo que eu consigo ver é a pureza da sua alma, a brancura do seu espírito e a solidão do seu ser.
Menina, recomponha-se. Se o amor ainda existisse você não estaria sofrendo. Siga em frente.
Ele fez o maior desperdício da vida dele ao te deixar ir, ao te dar o último e sofrido beijo de adeus. Acho que ele desperdiçou a maior chance que teve. Não corre atrás não, não descruze essas pernas. Pega o seu chá que já está apitando e me olha de novo.
A gente sabe que você consegue, esses olhos castanhos já foram mais alegres.
Então menina, sorria pra mim e deixe que minha mão enxugue essa sua lágrima, você fica feia quando chora. E eu... Eu quero você linda!

quinta-feira, janeiro 26, 2012

Leia-me



Quero escrever, quero que as palavras me consumam a mente.
Quero que a minha mente seja consumida crua; nua e crua; nua em pêlo.
Quero que chegue um momento em que não haja mais desejo, não haja mais vontade, não haja mais ser humano, não haja mais eu.
Quero que apenas escrevendo, possa dizer-me por completo.
Quero escrever para deixar de ser ilusão, deixar de ser uma ideia passageira, um sopro de uma brisa no verão do Rio de Janeiro.
Quero que, escrevendo, meus medos, males e modéstias sejam esquecidos, deixados de lado ou então reforçados.
Quero que a vontade exploda pelo meu corpo, e me faça escrever.

Escrever textos, versos, poemas e canções.
Escrever aquilo que a mente anseia, aquilo que a mente teme, aquilo que a mente repugna.
Escrever até a mão cansar, até os olhos se fecharem e até que meu corpo, podre, adormeça.
Quero escrever para que o que eu passei, vivi, pensei que passei e não vivi sejam eternizados.
Não em mim, mas em quem lê.