domingo, setembro 23, 2012
Idiossincrático
Peculiar e pessoal, muito íntimo e que só a própria pessoa entenderia (individualmente).
O seu gosto logo pela manhã. O gosto de café e o cheiro de perfume que deixa ao sair de tarde. O cheiro que tem seu corpo quando lhe toco todas as noites. A maciez de sua pele e a brancura do branco dos seus olhos e o o breu que são seus cabelos.
Quando ando na rua e passa alguém com seu perfume, o antigo não o de hoje, eu me viro na esperança de ser você, de ter sido você, de ser o que você era. Me viro mesmo sabendo que me engano, me sabendo que nunca será você, somente sinto aquele perfume e me perco em um mundo de lembranças.
Acho que nunca mais vou conseguir andar por todos aqueles lugares em que eu andava com você, aqueles prédios todos tão grandes e fortes, como costumávamos ser, aqueles bares cheios de vida à noite, e a minha vida que não contém nada além de garrafas compradas em bares.
Bares e festas e lojas e prédios e camas e jardins e luas e noites sem dormir pensando em você, no que você foi para mim e no que eu nunca mais vou ter. No carro que te atropelaria se eu não tivesse ido buscar café para você naquela manhã. No carro que me atropelou e me tirou de você. Agora quando vago por aí, sem ter você, fico pensando na falta que me faz, de como eu gostava do seu abraço, e de como você segurava a minha mão e, como se quisesse me ver bem, dizia: "Adoro você."
segunda-feira, agosto 27, 2012
VERACIDADE
sexta-feira, agosto 10, 2012
Café
segunda-feira, julho 02, 2012
Cara
Bar. Sol de inverno. Dois homens jogando dominó na praça. Cachecóis e blusas de lã, meias altas e roupas simples.
Homem 1: O frio que vem do norte me gela até as canelas, num posso com isso.
Homem 2: Cara, o frio te faz sentir vivo, não acha? Aquela sensação de arrepio, te lembrando que ainda tens cabelo; aquele gelo te lembrando que a pele ainda sente.
Homem 1: Sim, mas e o nariz gelado que até dói a mão quando você encosta?
Homem 2: Cara, sua mão tá quente, você tem roupas, o frio é bom.
Homem 1: Ah, você é sempre tão assim, de bem com a vida... Aparenta uma serenidade, seu sorriso é pequeno mas diz muita coisa. Você tem uma cara de felicidade!
Ele então joga a última peça do dominó, toma um gole de sua cachaça e diz:
-Cara, é só a cara.
quarta-feira, junho 06, 2012
Comum
Como todas as manhãs, ele acordou e tomou um banho bem quente. Colocou o short de corrida, camiseta folgada e aquele tênis velho com a sola em verde limão. Pegou Charles, seu cachorro, e saiu de casa andando, já que a corrida só começava quando chegava ao parque. Não gostava de mudança na rotina, por isso era todo dia a mesma coisa: banho, barba, short, Charles, anda, corre, volta, trabalho. Todos os dias eram assim, menos domingo. A manhã estava de um cinza sujo, típico das manhãs em São Paulo; e o parque estava com o chão molhado. Charles não se continha de alegria e queria cheirar todas as árvores do Ibirapuera.
Como todas as manhãs, ela acordou e tomou um banho bem quente. Decidiu colocar a saia bege e a blusa com casaco. Saiu para encontrar um cliente do escritório que estava conhecendo a cidade, e nenhum lugar melhor do que o Parque Ibirapuera. Não costumava andar de saltos muito grandes, por isso usou aquele azul de sempre. O parque não era um dos ambientes que ela mais gostava, talvez fosse aquele vento que poderia bagunçar o cabelo, ou então o cheiro de mato que não saia do nariz. Chegando no parque recebeu uma mensagem de que o cliente se atrasaria, e ela teria que ficar esperando; resolveu andar.
Enquanto corria ouvia uma música animada, para dar pique e esquecer um pouco de qualquer pensamento. Ia com charles na frente, correndo como um louco e tentando se esfregar no primeiro objeto com mais de 1,20m que poderia aparecer; em movimento ou não. Começou a tocar uma das músicas que menos gostava, sorte que era um música rápida. Enquanto andava parecia que o mundo estava conspirando contra ela, uma libélula enorme passou com um zumbido no seu ouvido, aqueles meninos que estavam seguindo e de olho no celular, o sol começou a sair e a deixar com calor. Tinha gente demais andando de skate ali do lado, e se me acertassem? O cheiro de grama molhada começou a irritar, e o sol a brilhar mais forte.
Foi então que ele bateu seus olhos no dela. Foi então que ela bateu seus olhos no dele. Que sexy uma mulher em 2012 usando um cabelo cacheado ao estilo anos 70. Que engraçado um cara correndo do lado de um cachorro com cara de idiota. Polainas? mas nem está tanto frio. E esse shortinho de corrida, brega! Estou chegando perto dela, melhor limpar o nariz. Opa, outra mensagem de texto. Ela está realmente muito arrumada, deve ser alguém importante. Acho que aquela pomba vai fazer cocô nele. Realmente, além de bonita ela é muito cheirosa. Sai daqui. Vou começar a vir mais arrumado pra cá. Sai daqui. Parece que ela tá olhando pra mim, que olhos lindos. SAI DAQUI, DROGA.
Charles estava em transe, não respondia ao puxão da coleira e nem aos empurrões que foram dados. Era constrangedor, um cachorro daquele tamanho fazendo sexo compulsivamente com a perna daquela mulher. Acho que o dono é que estava na pior situação, perdido e ouvindo música, tinha deixado o cachorro lá e só percebeu quando ouviu o grito da mulher, desesperada. As patas de Charles fizeram manchas enormes na saia dela, e ele não conseguindo entender nada.
Deu-se que, os dois foram um de cada lado, um iludido o outro apaixonado; um gritando e o outro envergonhado; um amando e o outro desarrumado.
quarta-feira, maio 23, 2012
Nina - Chico Buarque
Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que, embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu
[...]
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve
Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...
domingo, abril 08, 2012
Mata? Morri!
Se o sentimento de perda matasse, eu já estaria morto.
Voltar ao passado deveria ser permitido, para trazer aquele sentimento gostoso que eu tanto sinto falta.
As vezes eu gostaria de poder apagar as palavras que eu disse,
de apagar as palavras que eu ouvi.
Aqueles olhos verdes não são mais os mesmos de antes, não são mais os mesmos de nada.
Malditos olhos cor de esmeralda, belos na forma e na cor.
Simples olhos que apenas com o seu brilho me fizeram dar parte de mim pra eles,
Diz um vida outro morte, um loucura e outro amor.
Mas ai de mim, nem já sei qual fiquei sendo depois que os vi.
Mas ai de mim, não pertenço mais à vida depois que os vi.
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